3 passos para ter uma vida fora do trabalho

A palavra trabalho tem origem no latim tripalium ou tripalus, uma ferramenta utilizada para imobilizar bois e cavalos. Este também era o nome dado a um instrumento de tortura usado contra escravos e presos. Isto deu origem ao verbo tripaliare cujo primeiro significado era “torturar”. Imaginar que a palavra esteja carregada com uma simbologia tão pesada já traz um certo calafrio, não é mesmo? Contudo, sabemos que o trabalho não deve ser visto de uma forma negativa.

Uma frase atribuída a Confúcio diz:

Escolha um trabalho que você ame e não terás que trabalhar um único dia em sua vida.

Entendo que esta frase não mais se aplica ao mundo de hoje. A própria definição de trabalho mudou significativamente. No passado, um ferreiro, um lavrador ou um carpinteiro trabalhava naquela atividade escolhida por praticamente toda a vida. Nos dias de hoje, o ato de “trabalhar” é uma soma de atividades extremamente dinâmicas como lidar com pessoas, produzir relatórios, tomar decisões, liderar reuniões, contatar clientes e fornecedores, comunicar-se eficazmente, etc. E por mais bonita que seja a frase de Confúcio, penso que nem sempre teremos “amor” à todas estas atividades, muito menos afinidade com todas as pessoas com as quais iremos interagir para executar nosso “trabalho”.

Se você escolheu continuar a leitura, prepare-se para uma contradição. Vamos falar sobre o título deste post. Perceba que ele está intuindo a existência de uma vida “fora do trabalho”. E que ela deve ser perseguida a ponto de justificar um texto com 3 passos para encontrá-la. Mas na verdade, não há uma vida “fora do trabalho”. E por consequência, também não existe uma vida “dentro do trabalho”. A vida é uma só! Espero que isto não seja motivo para que você abandone a leitura deste post. Ainda iremos chegar até os 3 passos, porém, eles serão expostos com o objetivo do nos ajudar a encontrar um equilíbrio maior entre as ações que definem as nossas prioridades.

Vamos lá, o turbilhão do “trabalho” nos engole mesmo. Somos inundados por e-mails, reuniões intermináveis, relatórios para entregar, conflitos para gerenciar, cronogramas para atualizar, etc. Há muito para fazer e cada vez menos recursos. O stress é constante. Chegamos cedo ao “trabalho”. Saímos tarde dele e ainda levamos mais “trabalho” para casa. Nossos smartphones estão se tornando um meio através do qual o “trabalho” está onisciente e onipresente. Temos pouco tempo para a família e para nós mesmos. Tudo isto é verdade! Mas então o que fazer? Como equilibrar esta equação e encontrar tempo para respirar?

Há duas formas de tratar de um paciente doente. Uma delas é cuidar dos sintomas, aliviando dores e tentado trazer bem-estar. A outra (que normalmente caminha em paralelo) procura tratar a causa da doença. Este post tem uma abordagem de longo prazo. Ele propõe ideias para tratar a causa. Em nosso blog, podemos encontrar inúmeras dicas práticas para lidar com os sintomas. Não é o propósito deste texto hoje. Queremos nos aprofundar um pouco mais.

Vamos então conhecer os 3 passos para obter equilíbrio nesta equação:

1) Faça um inventário do seu valor

A relação de trabalho é primordialmente uma troca. Trocamos nosso tempointelecto por uma remuneração que (em tese) deveria ser justa. É uma troca de valores. Trazemos algum valor para a empresa e ela, em contrapartida, nos remunera de acordo com este valor. Uma remuneração que envolve coisas que transcendem o salário. Em uma relação de troca, quanto mais valor trazemos, maior deveria ser a nossa capacidade de negociar. Contudo, o conceito de valor é relativo: ele é a somatória da “percepção de valor” dos diversos stakeholders da cadeia: seu chefe, sua equipe, os acionistas, o cliente, etc. E percepção de valor é muito subjetiva. Estes stakeholders possuem agendas próprias e é preciso entender com precisão o que cada um entende como valor. Portanto, devemos fazer um inventário amplo e detalhado do valor que trazemos, tirando uma radiografia para poder enxergar alguns aspectos não visíveis no cotidiano. Este inventário pode ser feito através de algumas perguntas. Por exemplo:

  • Quantas horas por semana você se dedica ao trabalho?
  • Qual o valor que você traz para o seu chefe? Sua equipe? Para o cliente?
  • Há maneiras tangíveis de medir este valor?
  • O que você poderia passar a fazer para gerar mais valor?
  • Qual o prejuízo gerado se você simplesmente deixasse de pensar, decidir, executar, gerenciar, liderar, etc.?
  • Há maneiras tangíveis de medir este prejuízo?

2) Negocie a relação de troca

Conforme falamos, a relação de trabalho é uma troca. E em muitos casos esta troca precisa de ajustes para ficar equilibrada. Existem diversas formas para se fazer isto. Como a ideia não é tratar os sintomas, iremos abordar a essência deste ponto agora. Há uma relação de troca na mesa, certo? Uma vez que temos uma maior clareza sobre o nosso valor, é nosso dever negociar eventuais desequilíbrios. Com cuidado, usando estratégias adequadas de persuasão e venda de ideias é possível sim colocar questões relativas a este desequilíbrio e tentar obter algum ajuste. Estamos falando de uma negociação ampla, franca, legítima, a ser conduzida de forma assertiva por uma pessoa que está nitidamente sobrecarregada e precisa equilibrar esta relação de troca, sob pena de haver desgastes irreversíveis. O passo anterior irá trazer a clareza necessária para uma boa negociação. Ao descobrir o verdadeiro valor que trazemos, nossa autoconfiança aumenta e ampliamos a convicção sobre a importância de negociar e fazer os devidos ajustes.

3) Aprenda a se desligar

Grande parte do nosso cansaço é proveniente do fato de que não nos desligamos do nosso trabalho. A tecnologia trouxe uma ótima oportunidade se sermos mais produtivos. Porém, devemos aprender a nos desligar nos momentos em que estamos nos dedicando a qualquer outra coisa que não seja trabalho.

Breaktime

Embora não exista uma vida “fora do trabalho”, existem momentos em que não estamos realizando atividades relacionadas ao trabalho. Estes momentos precisam ter atenção plena. Nossas mentes precisam desta válvula de escape. Um bom exercício físico, uma caminhada, uma conversa com os filhos, um telefonema para um amigo para jogar conversa fora, uma meditação, etc. Mudanças pessoais são sempre difíceis de implementar, mas com um pouco de disciplina e foco somos capazes de muita coisa! Quer saber mais? Baixe agora no E-book gratuito da Rede Dialogas: 7 passos para uma mudança pessoal de impacto.

O tema é polêmico e estamos curiosos para conhecer o seu ponto de vista. Deixe seu comentário abaixo!